“Com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para coisa alguma […] Nem para o amor, nem para a glória, nem para o dinheiro, nem para o poder…”
Que eu me lembre nunca demorei tanto para ler um livro. E, considerando o número de leituras abandonadas que tenho listado. Não sou uma pessoa insistente na vida, se uma leitura não me interessa, não vai, não engata, largo. Mas não foi o que aconteceu com Os Maias, logo já sabe o meu leitor que não se trata de não ter me interessado, mas o quê então? Foi uma leitura lenta, morosa, pausada. Cheguei a parar de ler por um mês ou mais, mas continuei.
Bem, um passo atrás. Conheci o escritor português Eça de Queiroz pelos contos, dos melhores que já li inclusive: No Moinho, Civilização, Singularidades de uma rapariga loira… são inesquecíveis. Daí meu interesse em ler as obras do autor.
Escolhi Os Maias, não sabia nada, totalmente livre de spoilers. Fui adentrando devagar, saga familiar, Afonso de Maio (avô), Pedro de Maia (o pai), Carlos de Maia (o filho e mocinho da história).
Tem uns capítulos muito bons nessa obra. A construção das personagens, o enredo, o realismo na veia, muito bom mesmo. Porém, há capítulos muito chatos (não ruins) em que o autor aproveita a obra para lablar sobre a política de Portugal e a sociedade em si – muito chato. Outra questão que se soma a isso é a linguagem; além de ser português de Portugal, é um português de Portugal do século 19. Tenho certeza que perdi muitas referências e essa distância de lugar, de tempo, de povo e língua, atribuo a minha dificuldade com a obra. Contudo uma coisa eu aprendi sobre o meu eu leitora: se fosse um livro brasileiro, ou seja, do século 19, difícil de ler, mas que falasse do meu país, do meu povo, eu leria melhor, me esforçaria mais, como fiz por exemplo com Baú de Ossos do Pedro Nava. Descobri que não tenho muito interesse sobre a história sócio política de outras nações a não ser a minha. É algo que documentei em minha mente e com certeza vou ser mais sábia daqui por diante na escolha dos livros e no gasto do meu tempo.
Entretanto, há algo que me interessa em todas as obras de qualquer povo ou língua que é a natureza humana. Isso sim eu encontrei muito nos Maias. Um lado sombrio, seco, indiferente. Sem gosto e sem graça. O que essa obra retrata é sobre isso: a vida dos personagens é tediosa, fútil, sem sentido. Daí realmente o sentimento da frase que abri essa resenha. O que salva em virtude, em sentido, em proposito é a personagem do Afonso da Maia (o avô), sua juventude e a criação do Carlinhos para mim foi a parte e única que o livro me inspirou algo bom, mas quem leu sabe como tudo acaba.
Enfim, acho que devo responder se recomendo, e a resposta é não. Não me arrependo de ter lido, mas passaria sem ler também. Indiferente como o livro.
Livro: Os Maias, 1888
Autor: Eça de Queiroz (1845-1900)
Editora: Mimética, 2019
Páginas: 450
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★★★

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