O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; não há nada de novo debaixo do sol. Será que existe alguma coisa de que se possa dizer: “Veja! Isto é novo!”? Não! Já existiu em tempos passados, muito antes de nós. Já não há lembrança das coisas que se foram; e das coisas que ainda virão também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas. (Eclesiastes 1.9-11)
É fácil tomar como certo tudo que mantêm nossa sociedade funcionando – o sistema complexo e interconectado que nos fornece coisas como energia, comida e proteção militar ou policial. O sistema financeiro parece funcionar no piloto automático. O mesmo pode ser dito da rede elétrica; a maioria de nós quase nem a percebe até que uma tempestade a danifique e então acendamos algumas velas e esperemos que a empresa responsável resolva o problema. E se a eletricidade nunca voltasse? Como um povo tão dependente dela quanto nós lidaria com uma redução forçada e permanente? (p. 97)
Terminei de ler essa semana o livro do quase historiador americano Dan Carlin, O Fim está Sempre Próximo. Ele foi publicado em 2019 e ficou muito conhecido por estar na lista dos livros que fizeram uma premonição da pandemia que viria cortar nossa realidade.
Dan Carlin, já de inicio diz que não é um especialista em história, mas que seu objetivo é lançar uma perspectiva humana sobre os momentos apocalípticos que a humanidade já enfrentou. Da Idade do Bronze até as ameaças nucleares na Guerra Fria, o autor nos leva a refletir como somos próximos às pessoas que em tempos passados enfrentaram tão duras provações – guerras, fome, pestes, desastres naturais.
A sensação que eu tenho às vezes é que as pessoas veem a História – até a mais recente, como das Grandes Guerras – como uma obra de ficção. Parecem cenários tão distantes… mas será mesmo? Esse livro mostra que não: não é distante. É logo ali na verdade.
O autor nos ajuda a enxergar como a história da humanidade tem um padrão: progresso e retrocesso – sempre. Seja esse progresso fruto de grandes invenções, avanços tecnológicos como os de hoje ou simplesmente de vencer uma guerra, olhando para os tempos dos impérios. Mas os retrocessos sempre vêm e podem ser provocados por múltiplos fatores, às vezes até ao mesmo tempo – guerra, peste, fome, desastres naturais.
Eu nasci em 1988, faço parte de uma geração que só viu progresso até agora. Estamos acostumados – demais – com as inovações aceleradas do nosso tempo. Entre aspas a vida parece só melhorar. Mas continuará assim numa crescente? Segundo Dan Carlin, a não ser que o ser humano evolua muito por dentro, não. A máxima para mim é: a natureza humana não ficou moderna. O homem continua o mesmo, com as mesmas ambições, cobiças e todo o resto. Por que então imaginamos que nosso futuro será diferente das gerações passadas?
Meu capítulo favorito do livro foi o quarto: Julgamento em Nínive. Se eu não fosse cristã e não acreditasse na Bíblia, pode ter certeza que agora eu iria me converter. [Para quem ler o capítulo, leia também o livro do Profeta Naum]
Gostei muito do livro, para mim uma leitura imperdível mesmo em 2026. Um dos pontos altos, que faz a leitura recompensar muito é a abrangência do livro. Realmente vai da Idade do Bronze até a Guerra Fria. Funciona como um ótimo resumo da História e entrega o que promete: tudo numa perspectiva incrivelmente humana.

Livro: O fim está sempre próximo (The End Is Always Near, 2019)
Autor: Dan Carlin
Editora: Harper Collins Brasil, 2020
Páginas: 270
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