Viciados em dopamina barata: é isso que nos tornamos?

Neste último ano fiquei muito pensativa – e cansada – ao reconhecer o quanto estou imersa em estímulos visuais. É assustador quando paro para observar a quantidade de informações que consumo todos os dias e quase o tempo todo.

E isso me inquieta ainda mais porque, como muitos de vocês que me acompanham sabem, há mais de quatro anos escolhi não ter redes sociais. Instagram, X, Facebook etc., essas plataformas viciantes, não fazem parte da minha vida. Ainda assim, me sinto exausta. Mergulhada diariamente em estímulos que não cessam. Meu mundo, de certa forma, ainda é feito de telas. Trabalho o dia inteiro diante de duas delas e, como escritora e estudiosa, o meu tempo “livre” é resumido em telas também.

Tenho muito orgulho e gratidão por fazer parte da última geração que conheceu a vida antes disso tudo. Era uma vida mais lenta, mais orgânica. Uma vida em que o tédio existia – e estava tudo bem.

Não sei exatamente onde vamos parar. Às vezes me pergunto se nos tornamos isso: viciados em dopamina barata. Mas também sei que essa reflexão não pode ser o diagnóstico do mundo. Cada um de nós precisa olhar para a própria realidade, com honestidade, e, decidir o que fazer com ela. Enxergar. Reconhecer. Tomar providências.

Acredito, cada vez mais, que a leitura é um refúgio, um escape ou resposta para lidar com isso. O tempo ao ar livre, outro. Dormir mais e melhor. Estar verdadeiramente presente. Nada disso é novidade. Todos sabemos. O desafio é colocar em prática.

O que nos resta ainda é esse poder de escolha: o controle ainda está em nossas mãos. E, quem sabe, um pouco de intencionalidade em conseguir momentos de tédio e silêncio seja o nosso colete-salva vidas nesse tempo.

*Imagem: Pinterest

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