MPOX – Teremos uma nova pandemia?

“[…] doenças infecciosas são o inimigo mais mortal que a humanidade deve encarar. Sim, infecções estão longe de ser os únicos tipos de doenças a nos afetar, mas são o único tipo que nos afeta coletivamente, e às vezes em massa. Doenças cardíacas, câncer, até o Alzheimer, podem ter efeitos individuais devastadores, e a pesquisa que leva a suas curas é louvável. Mas essas não são doenças com o potencial de alterar o funcionamento cotidiano da sociedade, impedir viagens, paralisar o comércio e a indústria ou gerar instabilidade política. (OSTERHOLM, 2020)

Na última quarta-feira (14/08/2024) a OMS declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional para a Mpox (Váriola dos macacos). Não se trata de uma pandemia, como foi declarado o Covid-19 em março de 2020, mas de um estado de alerta mundial.

Nesse artigo pretendo trazer informações sobre a Monkeypox, principalmente extraídas do ebook “Monkeypox: the history of mpox´s global impact“, bem como de outras fontes conforme referências no final do texto.

A doença

A Monkeypox (MPOX) ou Varíola dos Macacos, é uma doença causada por um vírus que pertence ao gênero Ortopoxvírus, da família Poxviridae, que se assemelha à varíola humana, erradicada em 1980. A infecção causa erupções que geralmente se desenvolvem pelo rosto e depois se espalham para outras partes do corpo.

É uma doença em grande parte zoonótica, o que significa que se origina em animais e é transmitida aos humanos através do contato direto com sangue, fluídos corporais, lesões cutâneas, ou mucosas de animais infectados.

O vírus é endémico nos animais da África Central e Ocidental. Macacos, numerosas espécies de roedores, incluindo esquilos e ratos, desempenhando esses, um papel de reservatórios do vírus.

A história do vírus

O vírus da Mpox foi detectado pela primeira vez em humanos em 1970, na República Democrática do Congo, em um menino de nove meses que apresentava sintomas idênticos aos da varíola humana, em uma região onde a varíola humana havia sido erradicada há nove meses.

A década de 1990 representou um dos pontos de virada na história da Mpox. Em meio a instabilidade civil e os conflitos que dizimaram partes da África Central, ocorreu um grande surto da doença, afetando mais de 500 pessoas. Esse surto não foi significativo apenas pela quantidade de casos, mas por sua gravidade excepcional. Os pesquisadores detectaram uma taxa de transmissão humano para humano acima do esperado, levantando preocupações sobre o potencial do vírus se expandir além de seus limites geográficos convencionais.

Em 2003, nos Estados Unidos, ocorreu o primeiro grande surto internacional da doença. Um carregamento de roedores contaminados de Gana levou o surto para vários estados. Os roedores, que incluíam ratos e arganazes da Gâmbia, deveriam ser vendidos como animais de estimação exóticos, mas se tornaram a fonte do primeiro surto de Mpox fora da África. Embora nenhuma morte humana tenha sido documentada, o surto nos EUA envolveu mais de 70 casos em seis estados. A epidemia enfatizou o potencial da varíola para se espalhar internacionalmente através do comércio global de animais e ressaltou a necessidade de maiores regulamentações sobre a importação de espécies exóticas.

No surto de 2022, o primeiro caso identificado de Mpox fora da África foi em Londres, em 5 de maio, em um paciente que desenvolveu erupções na pele ao voltar de uma viagem à Nigéria. Houve registros de casos em mais de 50 países, incluindo países da Europa, América do Norte e Ásia. Em 29 de julho o Ministério da Saúde confirmou a primeira morte por Mpox no Brasil.

Surto de 2022

O surto internacional de Monkeypox de 2022 foi caracterizado por vários novos aspectos que o tornaram particularmente preocupante:

1 – O vírus parecia estar se espalhando predominantemente por contato humano, principalmente pelo contato físico próximo ou íntimo. Essa via de transmissão foi distinta das epidemias anteriores onde o vírus fora transmitido predominantemente pelo contato humano com animais infectados.

2 – O surto afetou um grupo demográfico mais amplo, incluindo pessoas que não haviam viajado para a África ou tiveram qualquer contato conhecido com animais, sugerindo que o vírus estava se tornando mais facilmente transmissível entre humanos.

3 – Outro episódio importante que impulsionou a atenção global da Mpox, foi a descoberta de uma nova linhagem do vírus em 2022. Ou seja, o vírus da Mpox estava se adaptando a novos ambientes, em outras palavras, começou acontecer a mutação do vírus.

4 – Levantou-se um grande estigma relacionado a doença para as comunidades mais vulneráveis, especialmente para população de homens que fazem sexo com homens, que foram desproporcionalmente afetados durante o surto de 2022.

Sintomas e contaminação

A Mpox pode causar vários sinais e sintomas. Os principais são: febre, dor de cabeça, dores musculares, fraqueza, seguidos de erupções cutâneas que podem aparecer no rosto, palmas das mãos, solas dos pés, virilha e regiões genitais.

A transmissão entre humanos, ocorre através do contato pessoal próximo com pessoas infectadas, principalmente através de lesões cutâneas, fluidos corporais e gotículas respiratórias durante contatos presenciais prolongados.

O vírus também pode se espalhar indiretamente através de objetos contaminados, como roupas de cama, roupas ou superfícies que tenham entrado em contato com uma pessoa ou animal infectado. Esta via de transmissão é particularmente importante em ambientes de saúde, porque o manuseio incorreto de itens infectados pode levar a infecções.

A gravidade da doença também pode variar, sendo a maioria dos casos autolimitados e resolvidos dentro de duas a quatro semanas. No entanto, podem ocorrer casos graves, especialmente em pessoas com sistema imunológico comprometido, resultando em consequências como infecções bacterianas subsequentes, pneumonia ou encefalite.

O alerta de 2024

O epidemiologista Dr. Michael T. Osterholm, comentando a pandemia de 2020 do Covid-19, no prefácio da 2º edição do seu livro “Inimigo Mortal: nossa guerra contra os germes assassinos”, disse: “O que todos esses surtos de doenças infecciosas têm em comum? Todos pegaram o mundo de surpresa e não deveria ter sido assim. Como o próximo também não deverá – e, tenham certeza, haverá um próximo, depois outro e outro e outro. […] um mundo com população três vezes maior, viagens aéreas internacionais, megalópoles em equilíbrio precário em países em desenvolvimento, invasão de habitats naturais que trouxeram reservatórios de doenças de animais à porta de nossas casas, centenas de milhões de seres humanos e animais hospedeiros vivendo colados uns nos outros e uma cadeira de suprimentos planetária que fornece tudo, de eletrônicos e autopeças a remédios sem os quais até hospitais avançados deixam de funcionar…” E pergunta: Estamos preparados para lidar com um cataclisma como este? E responde: infelizmente não.

Como disse, escrevi esse artigo para compartilhar informações sobre a Monkeypox a Varíola dos Macacos, a doença que mais uma vez está alvoraçando o mundo todo. O que vai acontecer em seguida ao alerta da OMS do dia 14/07/2024? Teremos que observar para saber. Todavia, o que fica para refletirmos é:

Primeiro, a Mpox foi identificada pela primeira vez em 1970 na República Democrática do Congo, um país infelizmente conhecido desde a época como um lugar afetado por várias outras doenças infecciosas. Houve mobilização científica que buscou a erradicação da doença lá trás? Pelo que li acredito que não e por vários motivos. Ainda que a Mpox oferece risco de morte, comparada com as taxas de letalidade de outras doenças infecciosas como a Aids, Malária etc, no decorrer da história, a Mpox não estava mesmo entre as prioridades. Segundo, infelizmente somente em 2022 com o surto internacional é que houve uma real preocupação global com a doença que já havia afetado milhares de pessoas durante 52 anos, só que em países africanos. É triste demais a desigualdade do mundo onde nem todas as vidas importam. E terceiro, mesmo que o surto agora em 2024 não vá para frente, a ameaça Mpox está longe de chegar ao fim, bem como de outras doenças infecciosas existentes no mundo devido as condições complexas em que as sociedades do século XXI tem vivido. Precisamos urgentemente pensar como indivíduos (é nisso que eu acredito, podemos mudar a nossa maneira de viver e da nossa família, e não o mundo), em como podemos viver de maneira mais saudável e equilibrada em todas as áreas: físico, espiritual, social e ambiental.

Que Deus nos ajude!
Obrigada pela leitura!!


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