Cuidado com o que você ouve e fala
Um jovem rapaz procurou um sábio e disse que precisava contar-lhe algo. O velho homem ergueu os olhos e perguntou: “O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?”. “Três peneiras?”, perguntou o jovem. “Sim, A primeira peneira é a verdade. O que você deseja contar é um fato? Caso não tenha certeza a respeito do ocorrido, não diga nada. Mas suponhamos que seja verdade. Deve-se, então, passar pela segunda peneira: a bondade. O que você vai contar é uma boa notícia? Esse fato ajuda a construir ou destrói o caminho e a reputação do próximo? Se o que você deseja contar é verdade e também algo bom, deverá passar ainda pela terceira peneira: a necessidade. Convém que você conte tal coisa? Ela resolverá alguma questão? Ajudará a sua comunidade? Poderá melhorar o planeta?”. O sábio então concluiu: “Se o fato passar pelas três peneiras, conte-o! Todos serão beneficiados com isso. Caso contrário, esqueça-o, e não conte nada, pois não será proveitoso nem essencial para as pessoas.”
Na primeira parte desse artigo me propus a meditar em Provérbios 4:23 <<“De tudo o que se deve guardar, guarde bem o seu coração, porque dele procedem as saídas da vida.”>>, buscando entender afinal: O que é guardar o coração?. Nessa parte dois vou me deter agora sobre Como guardar o coração, e mais especificamente sobre duas janelas da nossa alma.
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Para recapitular um pouco, guardar o coração é mantê-lo sábio, e mantê-lo sábio é alimentá-lo de sabedoria. Mas como isso é possível a nós homens caídos, como?. Sobre isso eu digo primeiramente que precisamos fazer algumas outras perguntas diretamente a nós mesmos: Como temos alimentado o nosso coração? Ao que estamos constantemente expostos, ao que é bom, sábio e belo ou a tudo aquilo que não presta e portanto, mau, tolo e degradante?
Nos que tememos a Deus precisamos urgentemente nos atentar para as janelas da nossa alma, que são: a boca/língua, os olhos, os ouvidos e a mente. E para entendermos isso mais claramente precisamos ir além do versículo 23 de Provérbios 4, lendo a continuação do capítulo.
Transcrevo aqui os versos 23 ao 27 na versão bíblica NVT:
(23)Acima de todas as coisas, guarde seu coração, pois ele dirige o rumo de sua vida.
(24)Evite toda conversa maldosa; afaste-se das palavras perversas.
(25)Olhe sempre para frente; mantenha os olhos fixos no que está diante de você.
(26)Estabeleça um caminho reto para seus pés; permaneça na estrada segura.
(27)Não se desvie nem para a direita nem para a esquerda; não permita que seus pés sigam o mal.” (Provérbios 4:23-27 NVT)
Observe o versículo 24 faz referência diretamente a boca, aos lábios e portanto, a língua. Há dois pontos aqui que precisamos refletir, são eles: o que falamos e o que ouvimos.
O que ouvimos
Na história que compartilhei no início vemos a complexidade dessas duas janelas na experiência humana. Se o jovem rapaz tinha algo a contar ao sábio é porque ele ouviu algo. “Evite toda conversa maldosa; afaste-se das palavras perversas.” Aconselha o sábio Salomão. E preciso tomar muito cuidado com o que se ouve.
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Essa é uma matéria de primeira relevância caso desejarmos crescer espiritualmente e até mesmo ter paz e harmonia na nossa vida. Não dá para ser passivo e deixar todo lixo de conversas entrar pelos nossos ouvidos. Uma vez que você ouve algo é impossível de desfazer, de voltar atrás e retirar aquilo que foi ouvido. Você pode dizer “Ah é só ignorar.” Não, não é simples assim. O que ouvimos vai para nossa mente e coração, é algo involuntário. Mesmo que aparentemente você esqueça ou não pense naquilo, “aquilo” que foi ouvido estará dentro de você. É preciso evitar as más conversações. Mas vou além, hoje com a tecnologia, com “os influencers” que opinam sobre completamente tudo, é necessário vigiar muito mais. As três peneiras da história – verdade, bondade e necessidade -, podem ser aplicadas ao que escolhemos ouvir também. Seus ouvidos não são uma lixeira, observe no seu dia a dia o que está entrando por ali.
O que falamos
A Epístola de Tiago, o chamado de provérbios do novo testamento, nos traz um dos textos mais significativos a respeito do bom uso das palavras:
É verdade que todos nós cometemos muitos erros. Se pudéssemos controlar a língua, seríamos perfeitos, capazes de nos controlar em todos os outros sentidos. Por exemplo, se colocamos um freio na boca do cavalo, podemos conduzi-lo para onde quisermos. Observem também que um pequeno leme faz um grande navio se voltar para onde o piloto deseja, mesmo com ventos fortes. Assim também, a língua é algo pequeno que profere discursos grandiosos. Vejam como uma simples fagulha é capaz de incendiar uma grande floresta. E, entre todas as partes do corpo, a língua é uma chama de fogo. É um mundo de maldade que corrompe todo o corpo. Ateia fogo a uma vida inteira, pois o próprio inferno a acende. O ser humano consegue domar toda espécie de animal, ave, réptil e peixe, mas ninguém consegue domar a língua. Ela é incontrolável e perversa, cheia de veneno mortífero. Às vezes louva nosso Senhor e Pai e, às vezes, amaldiçoa aqueles que Deus criou à sua imagem. E, assim, bênção e maldição saem da mesma boca. Meus irmãos, isso não está certo! Acaso de uma mesma fonte pode jorrar água doce e amarga? Pode a figueira produzir azeitonas ou a videira produzir figos? Da mesma forma, não se pode tirar água doce de uma fonte salgada.
Controlar a língua é mais difícil que domar os grandes animais selvagens da terra, é isso o que Tiago está dizendo. É difícil, mas necessário aprender a não só filtrar o que ouvimos, mas principalmente o que falamos.
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O conselho de Salomão também se aplica aqui: “Evite toda conversa maldosa; afaste-se das palavras perversas.” A língua é um grande teste para nossa espiritualidade, acaso de uma mesma fonte pode jorrar água doce e amarga? A questão é tão séria, que todo o nosso corpo está em jogo: Se pudéssemos controlar a língua, seríamos perfeitos, capazes de nos controlar em todos os outros sentidos. Como fazer isso? Um bom começo são as peneiras descritas na história do jovem e o sábio: peneira da verdade, peneira da bondade e peneira da necessidade.
O que eu vou falar é verdade? É surpreendente como nem sempre temos uma convicção quanto a isso. Ouvimos e já vamos falando, pensamos ou nem pensamos e já despejamos todo tipo de achismos nos ouvidos dos outros. Assistimos um vídeo ou um mero stories na internet e já divulgamos as notícias como pessoas muito informadas.
O que eu vou falar é bom? Aqui está algo que se colocarmos em prática nos tornaremos pessoas mais profundas. Sim, porque para saber se algo é bom ou não, se vou usar a minha língua para o bem ou mal, exige necessariamente que eu pense antes de falar, que eu medite. Que tal antes de fazer aquela ligação meditar uns dias? Antes de sair falando se colocar no lugar do outro? Lembrando que o bom uso das palavras se aplica também para aquilo que escrevemos na internet… nas redes sociais e até num artigo como esse que estou escrevendo.
O que eu vou falar é necessário? Nas Escrituras Sagradas estão registradas as seguintes palavras de Cristo: “Eu lhes digo: no dia do juízo, vocês prestarão contas de toda palavra inútil que falarem. Por suas palavras vocês serão absolvidos, e por elas serão condenados”. (Mateus 12: 36,37 NVT). Por que pensamos que podemos falar qualquer coisa? O que você tem a dizer é mesmo necessário? Convém que você conte tal coisa? Ela resolverá alguma questão? Ajudará a sua comunidade? Poderá melhorar a vida de alguém?
Para finalizar, imagino que alguém possa dizer: “Para que tudo isso? Relaxe!” Cuidar das palavras – com que ouvimos e falamos – não é tornar-se alguém rígido, severo… Cuidar das palavras é guardar o coração, é buscar ser uma pessoa sábia. O Apostolo Pedro alerta: “Porque Quem quer amar a vida, E ver os dias bons, Refreie a sua língua do mal, E os seus lábios não falem engano. Aparte-se do mal, e faça o bem; Busque a paz, e siga-a.” (I Pedro 3: 10,11 ACF). É uma questão de sabedoria de vida: “Quem é o homem que deseja a vida, que quer largos dias para ver o bem? Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem o engano. Aparta-te do mal, e faze o bem; procura a paz, e segue-a.” (Salmos 34 12-14 ACF).
Obrigada pela leitura!
*Imagens Pinterest.
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