“Mas a dura lição da desigualdade humana lhe chicoteou a alma.”

Eu cheguei a publicar um post sobre esse conto na primeira leitura que fiz, quando o blog estava hospedado no blogger (republicado aqui), mas novas reflexões surgiram.
Não importa o tamanho do texto, um conto, uma poesia que seja, quando o mesmo é bom, em cada releitura aquilo se expande muitas vezes em uma nova percepção. O texto se transforma, ou transforma-nos.
Negrinha é um conto que te puxa para dentro dele e então te joga no chão. Profundo. Duro. Triste. Impossível de se manter distante, frio enquanto se lê.
A narrativa é impecável. Tudo está no seu lugar para funcionar e causar o efeito que causa no leitor, não dá para tirar nem acrescentar.
A menina preta sem nome. A senhora branca de sobrenome. A alma do ser humano é revelada, a miséria de todos nós. Podemos ser a menina, podemos ser a senhora. Mas podemos também é verdade: ser o padre, as sobrinhas, os outros personagens passivos a tudo aquilo, aqueles que não fazem nada a não ser achar cômico ou enaltecer os egos. Não importa. Até nossa desigualdade é uma questão de misérias.
O padre, é preciso deter-se aqui. Lobato mostra como os seres mais terríveis podem revestir-se, esconder suas maldades, sob a capa da religiosidade. Um flagrante.
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